Presentes do Dia das Mães têm até 78% de impostos embutidos, aponta pesquisa
Os
brasileiros gostam de dar presentes no Dia das Mães, considerada pelos lojistas
a segunda melhor data do comércio, perdendo apenas para o Natal. O que poucos
param para pensar no momento de optar por um buquê de flores, um perfume, uma
bolsa ou um tablet é na carga tributária embutida nesses produtos.
Segundo
levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), que
calculou o percentual em impostos estaduais, federais e municipais sobre os
itens mais procurados para presentear as mães, a carga pode chegar a 78,43%.
Trata-se do percentual em impostos incidente sobre um perfume importado, de
acordo com a pesquisa. O perfume nacional, com 69,13%, não fica atrás. Em
terceiro lugar entre os mais tributados vem a maquiagem importada, com carga de
69%.
A
maquiagem nacional e as joias também ficam mais caras por causa dos impostos,
respectivamente 51% e 50,44%. O mesmo vale para a água-de-colônia, com carga
tributária de 50,38%, e para um aparelho MP3 ou Ipod, com 49,45% do valor
correspondente a impostos.
Quem
levar uma calça jeans pagará 38,53% em impostos e no caso de uma camisa,
34,67%. Nem as tradicionais flores escapam do peso dos tributos, com carga
tributária de 17,71% sobre o buquê. Levar a mãe a um restaurante também implica
em gastar em impostos: 32,31%, de acordo com o levantamento (confira a
lista completa da pesquisa abaixo).
O
presidente-executivo do IBPT, João Eloi Olenike, afirma que esses itens têm a
tributação alta por serem bens de consumo, considerados supérfluos. "O
nosso sistema é voltado para ter a maioria dos tributos sobre o consumo. Não
temos muitos países que arrecadam dessa forma. Nos Estados Unidos, Europa, a
tributação é concentrada na renda e no patrimônio", afirma.
Segundo
Olenike, a intenção ao concentrar a tributação sobre o consumo, à época da
elaboração da Constituição de 1988, era criar facilidade para União e estados
arrecadarem recursos. "Entendia-se que, com a tributação sobre a renda, os
lucros não seriam tão altos já que o Brasil não é um país tão rico. A ideia era
tributar os produtos e atividades que são menos essenciais. Mas os governos
realmente a deturparam. Hoje, 70% da arrecadação brasileira vem do
consumo", informa.
Reforma tributária
O
pesquisador da Universidade de Brasília (UnB) José Matias-Pereira, especialista
em administração e finanças públicas, avalia que o modelo de tributação sobre o
consumo revelou-se equivocado e penaliza os mais pobres. "A tributação
indireta que recai sobre alimentos, roupas, é extremamente injusta com as
pessoas que ganham menos. As pessoas pobres acabam pagando mais. A sociedade
precisa começar a se envolver e exigir que o governo faça uma reforma
tributária", disse.
Ele
cita como exemplo de alternativa ao sistema atual a tributação sobre heranças.
"Nos Estados Unidos, quando uma pessoa morre, a metade da herança o
governo recolhe. Quando alguém morre está financiando a educação, a tecnologia.
No Brasil, quando a gente fala em impostos sobre herança e grandes capitais, as
nossas formas de tributação são muito suaves", destaca.
Matias-Pereira
afirma ainda que, embora o Brasil tenha uma carga tributária próxima à de
países desenvolvidos, o retorno para a população não acontece. "O Estado
brasileiro é extremamente competente para tributar e incompetente para devolver
esses tributos a seus contribuintes. Temos um país que arrecada 33%, 34% do PIB
[Produto Interno Bruto, soma das riquezas de um país] em impostos. Está no
nível dos países da OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento
Econômico, que reúne países desenvolvidos], mas o retorno para nós é semelhante
à situação de países de terceiro mundo", analisa.
No
final do ano passado, o governo disse que umas prioridades deste ano será a
reforma tributária, para tornar a legislação mais simplificada.
Veja a carga tributária dos itens mais
procurados para o Dia das Mães:
Água de
colônia (nacional): 50,38%
Almoço em restaurante: 32,31%
Aparelho MP3 ou iPOD: 49,45%
Bolsa de Couro: 41,52%
Bota: 36,17%
Buquê de flores: 17,71%
Calça de tecido: 34,67%
Calça jeans: 38,53%
Camisa: 34,67%
Computador acima de R$ 3 mil: 33,62%
Computador até R$ 3 mil: 24,30%
iPad/tablet: 39,12%
Joias: 50,44%
Livros: 15,52%
Maquiagem nacional: 51,04%
Maquiagem importada: 69,04%
Pacote viagem: 29,56%
Perfume importado: 78,43%
Perfume nacional: 69,13%
Porta retrato: 43,47%
Relógio: 53,14%
Roupas: 34,67%
Secador de cabelos: 47,88%
Serviço de TV por assinatura: 46,12%
Teatro e cinema: 30,25%
Telefone celular: 33,08%
Televisor: 44,94%
Almoço em restaurante: 32,31%
Aparelho MP3 ou iPOD: 49,45%
Bolsa de Couro: 41,52%
Bota: 36,17%
Buquê de flores: 17,71%
Calça de tecido: 34,67%
Calça jeans: 38,53%
Camisa: 34,67%
Computador acima de R$ 3 mil: 33,62%
Computador até R$ 3 mil: 24,30%
iPad/tablet: 39,12%
Joias: 50,44%
Livros: 15,52%
Maquiagem nacional: 51,04%
Maquiagem importada: 69,04%
Pacote viagem: 29,56%
Perfume importado: 78,43%
Perfume nacional: 69,13%
Porta retrato: 43,47%
Relógio: 53,14%
Roupas: 34,67%
Secador de cabelos: 47,88%
Serviço de TV por assinatura: 46,12%
Teatro e cinema: 30,25%
Telefone celular: 33,08%
Televisor: 44,94%
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| Imagem ilustrativa (Google Imagens) |
Fonte: Instituto
Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT)
Fonte: Da Agência Brasil
