A delação de Cunha pode destruir cem deputados e um Presidente
Cunha não é só um meio para chegar a um fim. Não é só um
instrumento para pegar peixes maiores. A prisão de Cunha é um fim em si mesmo.
É importante para a Justiça mantê-lo preso por uns bons anos, independentemente
do que ele tiver para delatar. Por outro lado, tapar os ouvidos para as bombas
que Cunha tem para soltar não faz sentido.
Cunha não deve passar muito tempo preso – talvez nunca na história
da Lava Jato tenha havido um prisioneiro com tanto poder de fogo para uma
delação premiada. Não que se trate de uma negociação fácil. Cunha não é só um
meio para chegar a um fim. Não é só um instrumento para pegar peixes maiores. A
prisão de Cunha é um fim em si mesmo. É importante para a Justiça mantê-lo
preso por uns bons anos, independentemente do que ele tiver para delatar.
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| Ilustração da Revista Super Interessante - Editora Abril |
Por outro lado, tapar os ouvidos para as bombas que Cunha tem para
soltar não faz sentido. As delações do maior gangster de Brasília têm potencial
de fazer coisa de 100 deputados perderem o mandato. Cem deputados e um
Presidente da República.
Mais: Cunha não é só o parlamentar mais bandido. É o mais safo. O
que ele tiver para delatar virá acompanhado não de ilações, mas de provas
sólidas – provas que o nobre deputado certamente juntou ao longo da carreira de
canalizador de propina. Metódico, provavelmente tem dossiês bem organizados
contra todos aqueles a quem, até outro dia, cumprimentava com beijos no rosto.
Frio, não deve titubear antes de lançar ex-amigos aos leões para abater alguns
anos de pena.
Sim, como tanta gente já analisou, quem mais corre perigo agora é
Lula. Não pela chance que ele tem de aparecer nas delações do ex-deputado, já
que eles são de times diferentes, mas por isonomia mesmo: a PF se considera
portadora de tantas evidências de corrupção contra Lula quanto contra Cunha.
Prendeu um, o outro vem no vácuo. Além disso, a prisão de Cunha torna mais
legítima a de Lula – seria intragável ver um ex-presidente detido e um Cunha
solto. Esse aspecto deixou de existir hoje. Mas Lula provavelmente não é o
único político que já ocupou o terceiro andar do Planalto tenso neste momento.
FONTE: Revista Super Interessante
